sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

"Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."
Chico Xavier
 
Feliz 2012 a todos e não se esqueçam de quem faz o novo acontecer somos nós.

Mulher incendeia casa de amiga que a excluiu do Facebook

Hahsahshahsahshash!! Juro que eu ri.

http://blogs.estadao.com.br/radar-pop/mulher-incendeia-casa-de-amiga-que-a-excluiu-do-facebook/

(Não consegui publicar a postagem.)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

E. A. Poe


I

No mais verde de nossos vales,
habitado por anjos bons,
antigamente um belo e imponente palácio
- um palácio radiante - se erguia.
Nos domínios do rei Pensamento,
lá se achava ele!
Jamais um serafim espalmou a asa
sobre um edifício só metade tão belo.

II

Estandartes amarelos, gloriosos, dourados,
sobre o seu telhado ondulavam, flutuavam.
(Isso, tudo isso, aconteceu há muito,
muitíssimo tempo.)
E em cada brisa suave que soprava,
naqueles doces dias,
ao longo do muros pálidos e empenachados,
se elevava um aroma alado.

III

Caminhantes que passavam por esse vale feliz
viam, através de duas janelas iluminadas,
espíritos que se moviam musicalmente
ao som de um alaúde bem afinado,
em torno de um trono onde, sentado,
(Porfirogênito!)
com majestade digna de sua glória,
aparecia o senhor do reino.

IV

E toda refulgente de pérolas e rubis
era a linda porta do palácio,
através da qual passava, passava e passava,
a refulgir sem cessar,
uma turba de ecos cuja grata missão
era apenas cantar,
com vozes de inexcedível beleza,
o talento e o saber de seu rei.

V

Mas seres maus, trajados de luto,
assaltaram o alto trono do monarca;
(ah, lamentemo-nos, visto que nunca mais a alvorada
despontará sobre ele, o desolado!)
e, em torno de sua mansão, a glória,
que, rubra florescia,
não passa agora, de uma história quase esquecida
dos velhos tempos já sepultados.

VI

E agora os caminhantes, nesse vale,
através das janelas de luz avermelhada, vêem
grandes vultos que se movem fantasticamente
ao som de desafinada melodia;
enquanto isso, qual rio rápido e medonho,
através da porta descorada,
odiosa turba se precipita sem cessar,
rindo - mas sem sorrir nunca mais.

(A QUEDA DA CASA DE USHER - Edgar Allan Poe)

Vi no blog Percepções insones

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Feriados


Pauta de hoje em todos os telejornais: feriados em 2012.
Trabalhar ainda continua sendo um dos piores castigos para o povo mesmo.
Meu Deus, que vergonha. As pessoas gostam mesmo é de pão e circo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Fato


Leia: "Em favor da família e da preservação da espécie humana Deus fez macho e fêmea".

domingo, 25 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Frase


"Mera mudança não é crescimento. Crescimento é a síntese de mudança e continuidade, e onde não há continuidade não há crescimento."
C.S. Lewis
Não sei de quem é a imagem.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Frase


"Governo Dilma acha que pais rico é pais sem miséria. Meu grupo politico sabe que pais rico é pais com educação." 

Faz muito sentido.
Li no twitter

Heroínas dos quadrinhos se unem em campanha contra o câncer de mama

Por Patricia Moterani

Mulher-Maravilha faz o autoexame: campanha com heroínas dos quadrinhos quer conscientizar sobre o câncer de mama

As super-heroínas dos quadrinhos acabam de se juntar a nós, mulheres reais, na luta contra o câncer de mama. A Mulher-Maravilha, a Mulher-Gato, Mulher-Hulk e Tempestade são as estrelas da nova campanha da Associação da Luta contra o Câncer de Mama em Moçambique.

Mulher-Gato 

Nas fotos, elas aparecem fazendo o autoexame, considerado pelos médicos a mais importante maneira de identificar algum nódulo ou alteração parecida nos seios.

Mulher-Hulk

A ideia de colocar as heroínas dos quadrinhos na campanha é dizer que nem as supermulheres estão livres de ter a doença e, portanto, todas têm de fazer o exame regularmente.

Tempestade

O texto que acompanha das fotos diz o seguinte:
“Ninguém é imune ao câncer de mama. Quando falamos sobre câncer de mama, não existe diferença entre mulheres e supermulheres. Todas devem fazer o autoexame mensalmente. Lute com a gente contra esse inimigo e, quando ficar em dúvida, fale com o seu médico”.
Bacana a ideia, não?

Vi na http://colunas.marieclaire.globo.com/

Esperar


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Covardia


"Os covardes morrem várias vezes antes da sua morte (...)"
William Shakespeare

Link da petição: http://www.peticaopublica.com/PeticaoVer.aspx?pi=Yorkshir

Coragem, coração



Ah... o Ney Matogrosso é tudo de bom mesmo...
Está aí um video para matar as saudades.

Excelente fim de semana a todos!!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

OAB: lei da palmada será inócua sem políticas efetivas de educação familiar

Depois de uma quase discussão iniciada no facebook (ai meu deus!) achei que o texto abaixo seria bem pertinente para um início de debate da questão.
Foi retirado do Correio Brasiliense.


O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou hoje (15) que o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados que proíbe castigos físicos a crianças e adolescentes no ambiente familiar pode redundar em uma lei inócua se não houver por parte do poder público políticas públicas efetivas destinadas à educação familiar. "A lei, sozinha, pode ficar sem eficácia, pois a palmada como forma de educar é algo cultural neste país, herdado do colonizador português. Temos de ter campanhas educativas e de planejamento por parte do poder público para educar as famílias sobre a melhor forma de ensinar as crianças. Esse é um dever do Estado, que, lamentavelmente, não tem estrutura para isso. A lei pode, pois, cair no vazio".

Ao comentar a aprovação do projeto de lei, que ainda seguirá para o Senado Federal, o presidente da OAB acrescentou que outro ponto que pode "esvaziá-lo" é o fato de que as denúncias de castigos aplicados a crianças e adolescentes deverão ser feitas aos Conselhos Tutelares. Ophir destacou que esses Conselhos tem pouca efetividade, pois não recebem o apoiamento que deveriam ter por parte do poder público e, consequentemente, não dispõem de estrutura efetiva para desenvolver suas ações.

"É um modelo interessante, mas nunca foi implementado à altura, tendo virado algumas vezes cabides de emprego para quem os compõem, especialmente nos municípios. Há pessoas que os integram tem bons propósitos, mas não podem fazer nada porque não há estrutura adequada para os Conselhos atuarem como deveriam", afirmou.

Ophir Cavalcante destacou, no entanto, que o projeto de lei tem o mérito de trazer à tona o debate sobre a violência contra as crianças e adolescentes, apontando um novo caminhar para que as famílias eduquem seus filhos sem a aplicação do castigo físico. Para Ophir, é necessário que o Estado viabilize que as famílias tenham acesso à informação e possam, assim, decidir qual é o melhor meio de educar os filhos.

"É algo que efetivamente levará tempo, pois a palmada como forma de educar é algo que foi culturalmente herdado e não se muda a cultura das pessoas por decreto, por lei", afirmou Ophir Cavalcante. "O mérito desse projeto é, na verdade, apontar um novo caminho. Talvez este seja seu maior objetivo, até por não estabelecer nenhum tipo de punição, apenas advertências, tratamento psicológico aos autores da violência e adesão a programas de proteção à família", finalizou. A relatora da proposta na Câmara foi a deputada, Tereza Surita (PMDB-RR).

A lei tem um aspecto positivo quando fala em educação familiar. É necessário que se permita que as famílias tenham acesso e possam decidir sobre qual seria a melhor educação, privilegiando-se outros tipos de castigos ao Inês do corporal como forma de educar os filhos. É algo que efetivamente leva tempo, pois a palmada como forma de educar é algo que foi culturalmente herdado na nossa cultura do nosso colonizador português. Mas esse é um processo continuado, que precisa do olhar da sociedade no sentido de cobrar do estado uma postura muito mais voltada à proteção da criança do que a um faz de conta. Isso porque não se pode mudar a cultura das pessoas por decreto, por lei. Na verdade, a lei pode até apontar um novo caminho, talvez seja esse o seu maior objetivo, até por não estabelecer nenhum tipo de punição, apenas medidas de reeducação,

Acho que ela aponta, é um instrumento que pode apontar para um novo caminhar a partir de uma discussão em que se possa forçar o Estado brasileiro, nos e nos municípios no sentido de adotar políticas no objetivo claro de educar as famílias como deve educar seus filhos sem interferir diretamente nessa educação mas apontando o que castigo físico não muitas vezes funciona como o castigo físico. E é claro também que tem um mérito nessa lei porque a violência contra a criança e o adolescente, a violência domestica é muito grande no Brasil. Os números que se tem hoje são assustadores em relação a isso então ela traz esse problema, ela faz com que o Estado passe a ter um política publica quanto a isso, então se não houver uma mudança de cultura, a lei será mais uma daquelas que não pegará.

Dentro de um novo conceito, só com o tempo, só com mudança, só com educação, vai mudar. Não dá pra chegar em uma família que foi educada dentro de determinados princípios em que se usa o castigo moderado, o castigo físico moderado como uma forma de educar, de punir e etc. e de uma hora para outra essa família passe a esquecer toda a sua herança cultural e tenha uma outra visão a respeito disso. Isso é um processo lento, gradual e que é necessário essa educação familiar mesmo sobre como se deve educar os filhos.
Aprovada na Câmara a Lei da Palmada - quanto o Estado pode interferir na vida privada?
Espero que não passe pelo Senado.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Oi - telefonia


O telefone toca:

" - Boa tarde, eu gostaria de falar com o senhor Lotário P.S.?"

Eu e os cinco segundos de dúvida: ( ) é trote  ( ) não é trote  (x) definitivamente eu não sei

Ao fim, não era trote mas era engano.

PS: Obviamente o sobrenome do Sr. foi omitido para evitar que um processo caia em minhas costas, rsrsrs! - e é claro pela necessária preservação do anonimato.


Adolf Hilter disputa vestibular no Rio Grande do Norte

Isso também é Brasil.

A descoberta foi feita no Twitter pela leitora e jornalista Renata Malkes.

Adolf Hitler Souza Mendes está disputando o vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN): 

O Adolf Hitler tupiniquim foi classificado em 1.330º lugar em Ciências e Tecnologia. 

...


Agora é colocar as luzes de Natal. A árvore já está maravilhosa.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O inconsciente universal

Texto de Sérgio Telles retirado do site Conteúdo Livre


Ótima leitura para se pensar na questão cultural como influência para a formação do sintoma. 

Recentemente foi noticiado que, no Zimbábue, uma gangue de mulheres atua por todo o país sequestrando homens com o objetivo de lhes roubar o sêmen, que seria usado em rituais de magia ou vendido em outros países. Apesar de tais rumores circularem há mais de um ano, somente agora foram detidas três mulheres acusadas de tal conduta criminosa. Após prestarem declarações, foram soltas sob fiança e enfrentaram uma multidão enfurecida ao saírem da cadeia. Os homens vítimas desse ataque sentem-se envergonhados e temem que sua masculinidade tenha ficado comprometida.

Tais supostos acontecimentos evidenciam uma forte carga fantasiosa de teor sexual e remetem a uma situação similar, ocorrida na Nigéria nos anos 70 e 90 do século passado, objeto de um interessante artigo de Frank Bures. Naquela ocasião, uma quantidade significativa de homens procurava as autoridades policiais com a queixa de que seus pênis haviam sido roubados, bem como seus testículos. Diziam ter sentido subitamente algo estranho em seus genitais e, ao apalpá-los, percebiam que eles haviam desaparecido ou diminuído de tamanho. Nesse caso, eles temiam que o pênis desaparecesse ou fosse sugado para dentro do próprio corpo, o que causaria suas mortes. Muitos deles entravam em pânico e aos gritos anunciavam o ocorrido. Algumas vezes apontavam um dos circunstantes como o autor do roubo, o que provocava o imediato linchamento do acusado pela multidão. Estava configurada uma situação na qual uma comunidade inteira compartilhava intensamente do mesmo sintoma mental.

A epidemia de pênis roubados chamou a atenção de um psiquiatra, dr. Sunday Ilechukwu, que descreveu os surtos acontecidos entre 1975 e 1977, e sua recidiva em 1990 e em anos seguintes. Documentos oficiais registram que em abril de 2001 foram linchados 12 suspeitos de roubo de pênis na Nigéria, 6 no Benin e, entre 1997 e 2003, 36 na África Oriental.

Constatou-se que o quadro era bem mais antigo, tendo sua primeira descrição aparecido na China em 300 a. C. num livro de medicina, em que era chamado de suo-yang, "pênis encolhido". Em 1874, Benjamin Matthes, estudando os costumes da ilha Sulawesi (Indonésia), descreveu a mesma sintomatologia, usando a denominação local de lasa koro, "encolhimento do pênis", terminologia que terminou por se impor. Em 1950, dr. Pow Meng Yap escreveu um artigo publicado no British Journal of Psychiatry com o título Koro, a culture-bond depersonalization syndrome.

Desde então, a síndrome do pênis roubado ou koro tem aparecido em vários lugares, como as epidemias em Singapura (1967, 500 casos), Tailândia (1976, 2 mil casos), Índia (1982) e novamente na China (1984-5).

Vemos que a síndrome do pênis roubado aparece em contextos culturais bem diversos, desde que surgiu na China, espalhou-se pelo Sudeste da Ásia e se instalou no continente africano.

A DSM-4, o manual norte-americano da psiquiatria adotado no mundo ocidental, coloca casos como o koro num apêndice, classificando-os como "síndromes ligadas à cultura", quadros psíquicos que ocorrem em países com costumes próprios e diferentes dos ocidentais. É uma classificação discutível, pois todas as síndromes inevitavelmente adquirem sua forma em função da cultura onde ocorrem. Ao afirmar que apenas algumas delas são assim classificáveis, os autores da DSM-4 parecem partir da presunção que os costumes e a cultura ocidentais são o paradigma da humanidade, e que as demais culturas são "exóticas". Não lhes ocorre que, para os pertencentes a outras culturas que não a ocidental, a sintomatologia que incide nos Estados Unidos, como o transtorno de múltipla personalidade, a bulimia, os quadros dismórficos, a síndrome de ter um chip inserido para a espionagem do governo, o pet hoarding (comportamento compulsivo de recolher animais abandonados e mantê-los em cativeiro sem as mínimas condições sanitárias) seria para eles tão "exótica" quanto são para nós as "psicoses étnicas" que atingem os povos "primitivos", como o roubo de pênis na Nigéria ou o roubo de sêmen no Zimbábue.

O viés etnocêntrico da classificação fica mais evidente quando lembramos que a síndrome do roubo do pênis era conhecida na Europa da Idade Média, constando do Malleus Maleficarum, o guia de instruções para o manejo com as bruxas, que eram capazes de roubar a virilidade de um homem de várias formas, uma delas justamente fazendo desaparecer seu membro.

O koro mostra como o conteúdo inconsciente do sintoma é universal. Não obstante vicejar em culturas distantes da nossa, o koro ilustra de forma cristalina a angústia de castração, elemento central da teoria psicanalítica, uma das magnas expressões da cultura europeia.

Se o conteúdo do sintoma é universal, a forma é plasmada pela cultura. Nas culturas asiática e africana, a angústia de castração se manifesta diretamente na sintomatologia do koro. Entre nós ela aparece disfarçada, pois a repressão se deu por outras vias. Enquanto na Nigéria os homens sentem que seu pênis foi roubado, aqui vemos os casos de impotência ou ejaculação precoce, condições que, de forma semelhante, lhes roubam a virilidade. Se na África e na Ásia, os homens pensam que seu pênis está encolhendo e vai desaparecer, os ocidentais (seriam só eles?) pensam de forma obsidente no tamanho de seus pênis.

As configurações psíquicas inconscientes emergem na consciência individual ou social de forma diferente em função da cultura vigente num determinado tempo e lugar, como mostrou Freud ao comparar as peças de Sófocles e Shakespeare. Se na Grécia Antiga a conflitiva em relação ao pai podia ter uma manifestação mais direta como em Édipo Rei, séculos depois, na Inglaterra elisabetana, ela já sofrera uma maior repressão e se expressa de forma mais indireta como em Hamlet.

Casos como o koro (e quaisquer outras manifestações de cegueira histérica) são também importantes por mostrarem de forma inconteste como os órgãos da percepção perdem sua função quando invadidos pelo desejo inconsciente. Os pacientes de koro não sentem nem veem sua própria genitália, apesar de estar ela onde sempre esteve. Esse fato deveria ser lembrado por aqueles que supervalorizam os processos perceptivos e cognitivos em detrimento da visão psicanalítica.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Frase


"A vantagem de brincar com fogo é que se aprende a não se queimar."
Oscar Wilde

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Estagiária negra é forçada a alisar cabelo para preservar 'boa aparência'

'O padrão daqui é cabelo liso'. disse a patroa.


A estagiária Ester Elisa da Silva Cesário acusa seus superiores de perseguição e racismo. Conforme Boletim de Ocorrência registrado no dia 24 de novembro, na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) de São Paulo, ela teria sido forçada a alisar o cabelo para manter a "boa aparência". A diretora do Colégio Internacional Anhembi Morumbi ainda teria  prometido comprar camisas mais cumpridas para que a funcionária escondesse os quadris.

Ester conta que foi contratada no dia 1º de novembro de 2011, para atuar no setor de marketing e monitorar visitas de pais interessados em matricular seus filhos no colégio, localizado no bairro do Brooklin, na cidade de São Paulo. A estagiária afirma ter sido convocada para uma conversa na sala da diretora, identificada como professora Dea de Oliveira. Nos dias anteriores, sempre alguém mandava recado para que prendesse o cabelo e evitasse circular pelos corredores.
Leia também:

"Ela disse: 'como você pode representar o colégio com esse cabelo crespo? O padrão daqui é cabelo liso'. Então, ela começou a falar que o cabelo dela era ruim, igual o meu, que era armado, igual o meu, e ela teve que alisar para manter o padrão da escola."

Além das advertências, Ester afirma ter sofrido ameaças depois de revelar o conteúdo da conversa aos demais funcionários do colégio. Eles teriam demonstrado solidariedade ao perceber que a estagiaria estava em prantos no banheiro.

"Depois disso, eu me vesti para ir embora e, quando estava saindo, ela me parou na porta e disse: 'cuidado com o que você fala por aí porque eu tenho vinte anos aqui no colégio e você está começando agora. A vida é muito difícil, você ainda vai ouvir muitas coisas ruins e vai ter que aguentar'."

Colégio se defende

Após contato da reportagem, um funcionário indicado pela Direção do Anhembi Morumbi informou que a instituição não recebeu nenhuma notificação sobre o registro do Boletim de Ocorrência. Ele negou a existência de preconceito e se limitou a dizer que "o colégio zela pela sua imagem e, ao pregar a 'boa aparência', se refere ao uso de uniformes e cabelo preso".

A advogada trabalhista Carmen Dora de Freitas Ferreira, que ministra cursos no Geledés – Instituto da Mulher Negra – assegura que a expressão "boa aparência" é usada frequentemente para disfarçar preconceitos.

"Não está escrito isso, mas quando eles dizem 'boa aparência', automaticamente estão excluindo negros, afrodescendentes e indígenas. O padrão é mulher loira, alta, magra, olhos claros. É isso que querem dizer com 'boa aparência'. E excluir do mercado de trabalho por esse requisito é muito doloroso, afronta a Lei, afronta a Constituição e afronta os direitos humanos."

Métodos conhecidos

De acordo com o depoimento da estagiária, as ofensas se deram em um local reservado. A advogada explica que essa prática é comum no ambiente de trabalho, além de ser sempre premeditada.

"O assediador sempre espera o momento em que a vítima está sozinha para não deixar testemunhas, mas as marcas são profundas. O preconceito é tão danoso, que ele nega direitos fundamentais, exclui, coloca estigmas, e a pessoa se sente humilhada, violentada. Quando o assediador percebe a extensão do dano, ele tenta minimizar, dizendo 'não foi bem assim, você me interpretou errado, eu não sou discriminador, na minha família, a minha avó era negra'."

Ester ainda afirma que teria sido pressionada a deixar o trabalho, ao relatar o ocorrido a uma conselheira do Colégio. Como decidiu permanecer, passou a ser vigiada constantemente por colegas.

"Eu estou lá e consegui passar numa entrevista porque sou qualificada para o cargo, mas ela não viu isso. Ela quis me afrontar e conseguiu abalar as minhas estruturas emocionais a ponto de eu me sentir um lixo e ficar dois dias trancada dentro de casa sem comer e sem beber. Você pensa em suicídio, se vê feia, se sente um monstro."

Sequelas e legislação

Ester revela que as situações vividas no trabalho mexeram com sua auto-estima e também provocaram grande impacto nos estudos e no convívio social.

"Desde que isso aconteceu, eu não consigo mais soltar o cabelo. Quando estou na presença dela eu me sinto inferior, fico com vergonha, constrangida, de cabeça baixa. É a única reação que eu tenho pela afronta e falta de respeito em relação a mim e à minha cor."
Leia mais:

O Boletim de Ocorrência foi registrado como prática de "preconceito de raça ou de cor". A Lei Estadual nº 14.187/10 prevê punição a "todo ato discriminatório por motivo de raça ou cor praticado no Estado por qualquer pessoa, jurídica ou física". Se comprovado o crime, os infratores estarão sujeitos a multas e à cassação da licença estadual para funcionamento.
Fonte: Pragmatismo político

DogWarhol


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Sobre erros de grafia

 
Sírio Possenti

Quase todos acham que cometer erros de grafia é o fim do mundo, um sinal de ignorância. Mas não são erros mais graves do que outros (os contábeis, principalmente). Além disso, em geral, esses erros são excelentes pistas para aprender sobre a língua e sobre o sistema de escrita.

Primeiro, o sistema de escrita: a chamada escrita alfabética não é nem fonética (um símbolo para cada som) nem fonológica (um símbolo para cada fonema). Em uma escrita fonética, “tio” teria tantas grafia quantas fossem as pronúncias ([t] ou [tch] no começo, [o] ou [u] no final, fora os sons intermediários). Uma escrita fonológica implicaria que escrevêssemos /caza/ (ou /kaza/) em vez de “casa” e /sinema/ em vez de “cinema”.
A escrita fonética de “final” seria [final] ou [finau] (ou [finaw]), conforme a pronúncia, mas a fonêmica seria sempre /final/ (como prova o “l” em “finalidade”).
E como escreveríamos “peixe”? Foneticamente, [pexe] ou [peixe] (ou [peyxe] – estou sem um bom símbolo para o som que escrevemos com “x” ou “ch”). Fonemicamente? Hoje, /peixe/. No futuro, quem sabe seja /pexe/.
Crianças aprendendo a escrever, adultos com pouca escolaridade ou prática e cronistas anteriores às leis ortográficas fazem, todos, o mesmo tipo de escolhas. Digamos, para simplificar, que cometem os mesmos tipos de “erros”. Empregam grafias diversas e juntam palavras que os mais experientes (ou os mais recentes) separam.

Leia também:
 
O que a internet está fazendo com nossos cérebros

Ensino técnico, o novo-velho foco do mercado profissional
Noam Chomsky: de pesquisador a guru

 
Analistas apressados podem chegar a diagnósticos severos (por exemplo, de dislexia) em relação a esses escreventes. Mas, de fato, trata-se apenas de: a) instabilidade do sistema ortográfico (casa / caza; borracha / borraxa); b) de grafias baseadas na pronúncia, que é variável (menino / mininu), em hipercorreção (se “peixe”, por que não “badeija”; se “menino”, porque não “menistro”; se “final”, porque não “degral”?). Para um aprendiz, convenhamos, não é nenhum desastre.
Um aluno que comete estes erros, evidentemente comete erros. Afinal, a grafia correta está definida em lei! Mas seus erros não são devidos à falta atenção ou a algum tipo de déficit cognitivo. Podem, ao contrário, ser resultado de hipóteses inteligentes, embora erradas, e de generalizações que não deveriam fazer, mas que, na fase de aprendizagem em que estão, são comuns e demonstram independência intelectual e inventividade.
Em um texto famoso de Mattoso Câmara sobre o assunto, uma análise chama particular atenção. O lingüista encontrou diversas grafias para a palavra “silvou” (no ditado de “a serpente silvou”). Elas são devidas especialmente à instabilidade do “l” em sua relação com “u” em final de sílaba e de “u” em sua relação com “o” em posição átona: silvou, silvol, siuvou, siovol  etc. A pronúncia é sempre a mesma, é importante observar.
O caso mais interessante é silivou. Diz Mattoso Câmara que o acréscimo de “i” depois de “l” é uma manobra do aluno (de 12 anos !!!) para manter o “l”. Sua explicação: como já que o “l” flutua em final de sílaba (é pronunciado [l] ou [u]), mas é fixo no começo, ao colocar uma vogal depois dele, o aluno garante que o “l” esteja em começo de silaba e, assim, não se vocalize (não se “confunda” com u).
Que diferença poder ler uma análise de quem conhece o assunto!!

Fonte: Revista Carta Capital

sábado, 3 de dezembro de 2011

O Corvo de Poe - a versão de Helio do Soveral


Helio de Soveral foi o maior dos escritores pop do Brasil. Mas ele tinha um "lado erudito". Soveral era apaixonado pela obra do escritor norte-americano Edgar Allan Poe. Tão fanático que batizou sua única filha com o nome de um poema de Poe chamado Annabel Lee


Soveral construiu por toda a sua vida a tradução da obra poética de Edgar Allan Poe. Foi um trabalho imenso, preciso e altamente criativo. Por uma triste ironia do destino, no dia em que Helio do Soveral conseguiu acertar a publicação de sua tradução de Poe, ficou tão feliz que resolveu ir a pé para casa - e foi atropelado e morto por um motoqueiro.


Aqui vai o início da tradução de Soveral para o mais famoso poema do mestre de Boston, The Raven:




O Corvo

Fui abrir uma vidraça - quando então, com pompa e graça
por mim passa um Corvo dos bons tempos memoriais.
Tal um lorde petulante, revoou, por um instante
E pousou, duro e arrogante, 
Dominou os meus umbrais
Sobre um busto de Minerva que domina os meus umbrais -
aquietou-se, e nada mais.

Ante a ave negra e tesa, 
disfarcei minha tristeza
E sorri para a nobreza de seus gestos teatrais.
"Sem coroa e tosquiado - eu disse -
és rei ou condenado?
Velho Corvo desgarrado das paisagens noturnais -
Teu senhor te pôs um nome, nas paragens infernais?"
Disse o corvo: "Nunca mais".
 
Fonte: Memorial Soveral

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ícones do passado e do presente de Hollywood reunidos na mesma foto. Esse foi o conceito do fotógrafo sueco George Chamoun para misturar as imagens de astros “parecidos” das diferentes gerações. E não é que ficou muito bom?

Audrey Hepburn + Natalie Portman

Cary Grant + George Clooney
(se bem que essa era óbvia: George Clooney É o Cary Grant dessa geração)

Elizabeth Taylor + Angelina Jolie

Marilyn Monroe + Scarlett Johansson
  .
 
 James Dean + do Robert Pattison
Fonte: Vida Ordinária

Frase


"Eu sofro sendo assim, eu sofro porque quando você acha mais da metade do mundo babaca, você passa muito tempo sozinho."
Tati Bernardi