quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Facebook: robotização e sedentarismo em rede

Por: Eliana Rezende


Transcorridos os anos, o Facebook começa a conhecer o imobilismo criativo.
Festejado em seus primórdios pelas possibilidades e potencialidades de conexão e compartilhamento social, usos dos mais variados, hoje sua plataforma parece ter encontrado em uma década sua senilidade e imobilismo.




E explico:
A experiência da rede tem se mostrado acomodada, acrítica, extremamente passiva e muitas vezes simplória. Seus usuários muito rapidamente acostumaram-se a fórmulas que consagram e incentivam a economia de pensamento crítico. Tudo reduz-se ao “curtir”, onde a mecanização do gesto guarda em si a ignorância. Em muitos casos, se não na maioria das vezes, o botão é acionado sem que a pessoa tome de fato conhecimento do que se trata.

A preferência imagética é quase total e a fórmula aqui é uma foto e uma frase. A simplicidade rudimentar agrada, já que exige pouco, tanto de quem comunica quanto de quem é comunicado.  

Tanto imobilismo não entreterá por muito tempo a geração Touchscreen    

Afinal, nascerá em outro tempo e como vem sendo dito por vários especialistas: o Facebook vem se transformando em uma rede que concentra a chamada terceira idade virtual.



Uma das coisas mais interessantes que temos que estar atentos é o padrão de repetição e passividade que uma plataforma, dita de interação e compartilhamento acaba oferecendo. Hoje é muito mais usual a passividade ante ao exposto, quer na forma escrita quer na forma visual, do que posicionamentos críticos e assertivos.

É estarrecedor pensar que cada vez mais as pessoas escolham apenas uma opção: "curtir" para expressar 'tudo' o que pensam sobre um tema. E o pior, mesmo que elas queiram se colocar, pouco estão interessadas em saber aprofundadamente sobre. 

A previsibilidade e constância de conteúdos e ausência de inovações são também igualmente avassaladoras. O grande meio de compartilhamento não está criando, na mesma proporção, ideias criativas e inovadoras. Os grupos e as comunidades organizam-se de forma quase provinciana, no sentido de manutenção de pequenos nichos e interesses. Restringem-se ao miúdo e cotidiano de uma comunidade restrita e local.

O que de fato temos, ao invés de um grande potencial de variáveis, é a repetição de padrões e fórmulas. Em geral as pessoas cercam-se do que lhes é familiar e conhecido. E o mesmo se estende pelas formas de externar pensamentos e atitudes.

A cópia de ideias e até de conteúdos são constantes em blogs e em outros meios. É sempre muito raro encontrarmos conteúdos inéditos e de qualidade, fruto de uma reflexão pessoal de seu postulante. Fato que nos dá uma sensação e necessidade de perguntar: para onde é que vamos? Todo excesso é prenúncio de falta?

Espero que estejam dispostos a conversar mais sobre o tema. Que tal exercitarmos isso?

De fato penso muito em relação a esse excesso de informações rasas no qual estamos vivendo e se, de outro lado, não estaríamos às vésperas de uma grande falta. Isto é cíclico e está no desenvolvimento da história. Gerações que rompem estruturas, são fruto de uma geração em que quase nada ocorreu e vice-versa. Isso vale para movimentos na arte, literatura... e até no futebol!

O tema nos faz remeter ao que significou o desenvolvimento da internet, as novas formas de comunicação e proposição de relações. Foi de fato um período de romper barreiras, estruturas e formas de estar e pensar. Hoje, vejo o atual momento como de uma saturação sem fim: as pessoas, especialmente em redes como o Facebook, possuem um comportamento passivo e consumista. 



Passivo em se contentar com simplesmente "curtir" ou "compartilhar" sem verticalizar nada. Fica-se numa superfície horizontal onde "toda" a mensagem se resume a uma foto ou uma frase (pior é quando eles vêm sem autoria correta e em muitos casos uma reprodução infinita de Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu).
Consumista no sentido de seguir não sei quem e nem por que...

Espalha-se um rastro de seus gostos e desgostos a troco de ter seus dados "embalados" e oferecidos às agências de publicidade que não param de poluir sua página feita em azul para que você, de novo, curta isto ou aquilo. Preocupo-me com esta robotização de comportamentos e na incapacidade de ações críticas de acordo com seus posicionamentos frente ao dado ou estabelecido.

Se todo o potencial que a internet oferecia não for reinventado e as pessoas não voltarem a buscar formas inovadoras, teremos mais uma plataforma que cairá vítima de seu próprio veneno: o consumo pelo imediatamente novo. Não será para o melhor... simplesmente para o mais novo lançamento, sofrerá o descarte e substituição tal como um velho aparelho de TV de tubo.

Sim, o objetivo é irmos além de propriamente gostar de uma matéria interessante, mas é também verificarmos o quanto ela tem que ver com nossas opções, escolhas e repertório. Quanto de fato acrescenta àquilo que pensamos e acreditamos? 
A passividade não é desejada em espaço algum, mas em espaços ditos de compartilhamento e troca, fica ainda mais estranho.

O Facebook em verdade dita um padrão, acolhido por uma maioria que é de curtir/compartilhar, como ferramentas de facilidade. É mais fácil clicar num botão de gostei ou postar uma foto e uma frase do que de fato articular um raciocínio e falar sobre algo de forma a acrescentar ou se colocar.

A robotização aparece como um instrumento de massa para obter cifras e dados e não como forma de gerar crescimento intelectual ou de conteúdo.  



É óbvio que não estou aqui para questionar números. Contra tais não há argumentação. E talvez tenham sido alcançados exatamente por essa homogenização. Todos são tomados como meros algoritmos e que são computados a partir da robotização do “gostei”. A situação é tão interessante que em tempos passados até campanha para ter o botão não gostei, houve. Mas claro que isso confundiria o sentido de construção da base do Facebook e nunca foi adotado. E aí nos defrontamos com a situação absurda que é, por exemplo, a notícia da morte de alguém ou de uma catástrofe e que as pessoas sem pensar clicam “gostei”. Isso para mim mostra o ápice do que seja robotização sem critério ou crítica.
As pessoas simplesmente não param para pensar sobre isto.   

Buscar um olhar crítico envolve debruçar-se sobre. E em geral as pessoas julgam não ter "tempo" para isso. A cultura da imediaticidade e consumo leva as pessoas para longe de estar em contato consigo próprias. Basta andarmos pela rua e vermos cada um com seu celular, seu jogo, sua música nos ouvidos. As pessoas não buscam mais relacionar-se com outros, mas sim com seus gadgets. Já disse antes que a internet tem conseguido o paradoxo de aproximar quem está a centenas de milhas ou quilômetros e em geral separa os que dividem a mesma casa!

Esta robotização com ensimesmamento foi reforçada com as redes. E aqui há discussão para um post inteiro e que guardo para outra ocasião. 

Mas adianto que em cada período a humanidade está propensa a que determinados comportamentos se desenvolvam e se disseminem. Esta "robotização" é mundial e muito mais relacionada ao processo de midiatização e tecnologia em que estamos.

Há um narcisismo generalizado e uma busca por exposição que "leio" muito mais como uma insegurança e temor de estar consigo próprio do que a necessidade de relação com o outro.
Os silêncios da alma são fantasmas para alguns e a busca da "multidão" tem um pouco esse sentido de fuga.
A robotização combinada com a alienação parecem ser uma marca dos nossos tempos.

Para além disso tudo, acho que o padrão de repetição em formatos idênticos para todas as redes é o que mais me incomoda. De repente, Google+ e até LinkedIn repetem o mesmo padrão como forma de garantir que seus usuários continuem a usar suas respectivas plataformas.


Vejam, sou usuária e gosto muito de tecnologias, mas gosto de pessoas, silêncios e leituras, gosto da reflexão que ações e comportamentos têm, ou de uma boa ideia exposta num texto, ou até numa frase. Não precisamos nos isolar e nem viver no meio de tudo. Há o caminho do meio sempre!
Estar nele significa conseguir olhar de um lado e de outro e encontrar o caminho perfeito que há quando se tem equilíbrio e bom senso. 

O que discuto aqui é esta alienação consentida, onde o nivelamento horizontal alcança tais redes numa velocidade muito grande e onde verticalidade, profundidade e criatividade estão deixando muito a desejar.

Um dos precursores da realidade virtual e crítico da web 2.0, Jaron Lanier defende um caminho diferente para se utilizar a rede. Ele é defensor de uma internet aberta, mas não completamente gratuita. A questão levantada por Lanier é estrutural. O problema é que a rede, gradualmente, direciona e agrupa os usuários em blocos. As informações ‘sugeridas para o seu perfil’ escondem uma variedade enorme de outras possibilidades e, ao categorizar por ‘gostos’, tornam o usuário um produto bem definido para publicitários, por exemplo. Ou seja, no modelo atual, quem lucra mais são os sites de busca e as redes sociais, e quem sai perdendo são os criadores, que dependem dos direitos autorais para viver.

Segundo Lanier, a estrutura atual permite que exista uma ‘agência de espionagem privada’ que desvirtua o propósito inicial de permitir que cada usuário pudesse trocar seus bits com outros, como em um grande mercado, e tudo seria acessível a uma taxa razoável. Esse fluxo permitiria que a criação individual fosse devidamente remunerada e estimularia o trabalho intelectual. Nesse sentido, ele afirma que "precisamos de um design mais antropocêntrico ao invés de um focado em algoritmos". Jaron Lanier quer não apenas a liberdade de trocar informação mas a liberdade de pensar e de ser criativo em um modelo que, atualmente, anestesia, cada vez mais, os usuários.

Apesar de tudo, vejo que em verdade o Facebook acaba sendo um grande espelho de comportamento social e cultural. E eventualmente a plataforma serve apenas para refletir o que a nossa sociedade é em sua maioria: superficial, frívola, autocentrada e egocentrada.

Como historiadora, fico sempre imaginando o que pesquisadores daqui há alguns séculos dirão ou apreenderão quando olharem perfis de redes... que sociedade verão no espelho?



Publicado em Pensados a tinta

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Eleições 2014: conheça candidatos engajados na causa de bem-estar animal






Eleições Top

Por Marcela Puccia Braz

Os primeiros traços de preocupação com bem-estar animal na legislação brasileira, escritos por Getúlio Vargas em julho de 1934, não são tímidos: o decreto nº 24.645 já chama de “delinquente” aquele que fosse responsável por maus tratos aos animais e explica, em 31 exemplos, quais comportamentos se enquadrariam nesse tipo de delinquência. Mas a pena, multa e prisão por 2 a 15 dias, deixa a desejar se comparada à atual, cuja sansão – que varia de acordo com as leis municipais – é somada a um período de 3 meses a um ano de detenção, números que legisladores têm tentado aumentar (além de buscar melhor aplicação e cumprimento). 
Da época em que Vargas era “Chefe do Governo Provisório da República dos Estados Unidos do Brasil” até as vésperas das eleições de 2014, leis mudaram, mais quatro constituições foram escritas e, enquanto isso, as medidas de proteção dos animais avançaram a passos lentos. Projetos para modificar a Lei nº 9.605 de crimes ambientais, de 1988, e aumentar a punição de maus-tratos têm sido apresentados desde 1999, mas infelizmente nenhum vingou até o momento. Atualmente há pelo menos cinco deles tramitando em conjunto em pautas de comissões ou do Plenário. 
Além dessa preocupação, as principais propostas apresentadas pelos candidatos em nível federal, engajados na causa de bem-estar dos animais, são voltadas a controlar ou acabar com uso deles em circos, pesquisas, atividades de ensino e testes laboratoriais, bem como para instituir medidas de controle populacional de cães e gatos e proibir a matança cruel e ineficaz desses animais, sem critério, nos centros de controle de zoonoses (CCZs). 
A maioria delas seriam contempladas pela criação do Código Federal de Bem-estar Animal (PL 215/2007), proposta do deputado federal Ricardo Tripoli (PSDB-SP), que já atuou à frente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em defesa da fauna. 
Outro alento para acelerar o processo legislativo e sinalizar aos eleitores quais são os políticos envolvidos com o assunto é a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Animais, criada em 2011. “Ela é importante, porque reúne diversos deputados e senadores preocupados com aquele tema e chama atenção para o assunto. É um avanço em termos de mobilização”, explica Yuri Carajelescov, professor da Escola de Direito de São Paulo - FGV.

Deputado federal e coordenador da frente, Ricardo Izar (PSD-SP) acredita que a luta pelos direitos dos animais melhorou consideravelmente com essa mobilização dos parlamentares, ainda que nem todos os signatários participem ativamente do grupo. “A gente faz pressão para os deputados assinarem os projetos e já tivemos três deles aprovados. Trinta anos atrás a gente não tinha nada disso”, compara. 
Neste ano, por exemplo, entre 17 e 20 de fevereiro um grupo de ativistas e políticos acamparam no gramado em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, para o Acampamento Nacional pelos Direitos dos Animais. A mobilização teve como objetivo pressionar parlamentares a aprovarem, principalmente, as seguintes medidas: criação de uma CPI que investigue casos de maus-tratos a animais, esterilização gratuita de cães e gatos (PL 1376/2003), aumento da pena para maus-tratos (PL 2833/2011), proibição de animais em circos (PL 7291/2006) e usados em testes para o desenvolvimento de cosméticos (PL 6602/2013). 
Segundo a organização, feita pela candidata a deputada federal Carolina Mourão Albuquerque (PHS-DF) – ou Carol dos Animais –, o acampamento também recebeu apoio dos deputados e candidatos às eleições Roberto Santiago (PSD-SP) e Paulinho da Força (SDD-SP). 
Em fevereiro também foi anunciada a criação de uma comissão especial para consolidar, em uma lei única, todos os projetos e normas referentes à proteção dos animais, que somam 185 projetos de lei em trâmite na Casa. A reivindicação foi feita pela bancada do PV, com apoio do Solidariedade (SDD). 

Além das iniciativas apresentadas anteriormente, conheça outras propostas e candidatos a nível federal (não foram inclusos deputados estaduais e governadores), envolvidos com a proteção dos direitos dos animais: 





Presidenciáveis

Os candidatos à Presidência divulgaram as diretrizes da campanha, ou seja, as linhas gerais que pautam o cada plano de governo. 

Aécio Neves (PSDB): se compromete a fortalecer iniciativas voltadas para bem-estar animal e proteção dos direitos dos animais, “em sintonia com iniciativas em curso em vários países”. 
Dilma Rousseff (PT): não cita direitos dos animais no programa de governo. 
Eduardo Jorge (PV): pretende promover um programa nacional dos direitos dos animais, o controle ético de produção, pesquisa e cuidado que os envolva, proibir testes de cosméticos e incentivar a pesquisa e o desenvolvimento para eliminar o uso de animais como cobaias em outros setores. Além disso, o candidato propõe eliminar subsídios e financiamentos públicos a granjas industriais que mantenham animais em confinamento intensivo e reduzir danos, em curto prazo, para eliminar as práticas de criação de animais para consumo. 
Luciana Genro (PSOL): não cita direitos dos animais em suas diretrizes de campanha. 
Marina Silva (PSB): apoia a criação de material pedagógico com temas relacionados à defesa dos direitos dos animais e a aprovação da lei que prevê um selo informativo nos alimentos que contenham ingredientes de origem animal. 
Pastor Everaldo (PSC): não cita direitos dos animais no programa de governo.

Senadores
  
Álvaro Dias (PSDB-PR)
PL 7291/06: proíbe uso de animais silvestres em circos de todo o país. Situação: pronta para pauta no Plenário. 

Eduardo Suplicy (PT-SP)
Apoia o endurecimento das penas àqueles que cometem maus-tratos e políticas de esterilização e controle populacional dos animais abandonados. 
“Mas isso não basta. É necessária a conscientização de que a posse de animais demanda a guarda responsável, além da castração, como também respeito e dignidade para com a vida animal”, defende. 
O candidato à reeleição também se posiciona contra provocar lesões e estresse desnecessário aos animais em "brigas de galo", "brigas de pássaros", “farras do boi", “brigas de cães", e considera maus-tratos exigir trabalho excessivo e usar instrumentos para “incentivar” animais em circos, rodeios ou vaquejadas. 
Quanto ao uso de animais para pesquisas científicas, o senador afirmou em discurso que os experimentos exigem pessoal capacitado, planejamento e instalações adequados. “Entretanto, creio que a questão mais importante é essa: podem os animais sofrerem, indiscriminadamente, para o bem da ciência?”, completou, ao final. 

Deputados federais

Carlão Inpama-CG (PEN-SP) Presidente e fundador do Instituto Nacional da Proteção Animal e Meio Ambiente, tem como meta a criação de serviços de castração e vacinação gratuitos. Defende ainda o desenvolvimento de um programa de recolhimento de animais, destinados inicialmente a abrigos públicos para castração e doação. 

Fabiano Jacob (PV-RJ) 
Entre as suas metas como deputado federal, o candidato destaca:
- Equiparação de penas entre o tráfico de drogas e o tráfico de animais silvestres.
- Combate ao uso de animais em testes e pesquisas, ao uso de animais para tração (carroças), aos abatedouros clandestinos, à venda ilegal de animais e às "fábricas" de filhotes. 
- Ampliação de feiras de adoção (com triagem de adotantes e participação de abrigos e protetores cadastrados), incentivo à chipagem e fiscalização dos criadores legalizados; 
- Reestruturação subsidiada de abrigos e ampliação do projeto Lar “Cão” Amor de lares temporários, em convênio com empresas privadas.  
- Fiscalização dos métodos de abate, armazenagem e tratamento (pré-abate) de animais em abatedouros já legalizados. 
- Incentivo à criação de hospitais veterinários públicos, delegacias estaduais epecializadas em bem-estar animal e também de uma Patrulha de Resgate à Saúde Animal (PRESA) para o combate ao comércio ilegal e resgate de animais em situação de maus-tratos e abandono. 
- Criação junto a ativistas de uma Coordenação de Defesa Animal do Gabinete, com o objetivo de receber e apurar denúncias de maus tratos. 
- Criação junto a veterinários de uma Coordenação de Bem Estar Animal e de um “castra móvel”, a fim de realizar consultas diárias, atender chamados de primeiros socorros, realizar pré-operatórios e castrações. 

Gazzetta (PV-SP) 
Atuou como secretário municipal do Meio Ambiente em Bauru (SP) e em ONGs como a SOS Mata Atlântica, o Instituto Socio Ambiental e o Instituto Vidágua. As suas principais propostas incluem: 
- Recursos para as Prefeituras Municipais implantarem Clínicas Veterinárias Públicas, voltadas ao atendimento e resgate de animais acidentados ou vítimas de maus-tratos. 
- Combate à eutanásia como forma de controle populacional e incentivo a programas regionais de castração gratuita de cães e gatos. 
- Apoio à implantação de abrigos para animais abandonados e estímulo às feiras de adoção. 
- Apoio à implantação das Delegacias Verdes, especializadas no combate ao crime contra os animais e contra a natureza. 
Joaquim Amaral (PSD-RJ) 
Além de defender penas mais severas para aqueles que cometem crime de maus-tratos aos animais e ainda campanhas de estímulo à adoção, o candidato inclui em suas propostas a criação de unidades públicas para atendimento a pequenos animais para realização gratuita de vacinações, castrações, cirurgia e outros procedimentos veterinários, em convênio com universidades e organizações não-governamentais.

Junji Abe (PSD-SP)
Apoia a criação da CPI de maus-tratos e participou do Acampamento Nacional pelos Animais. 
PL 7291/2014: obriga estabelecimentos de banho e tosa de cães e gatos a disponibilizar visão total dos serviços por meio de sistema de câmeras e acompanhamento pela internet. Situação: apensado ao PL 6833/2013, que obriga instalação de circuito interno de filmagem em pet shops. 
PL 7102/2014: obriga produtos nacionais ou importados a avisarem no rótulo a realização de testes em animais durante a produção. Situação: apensado ao PL 2470/2011, de Ricardo Izar. 
INC 5527/2013: envia indicação ao Ministério da Justiça para criação de delegacias de polícia federal e rodoviária federal para reprimir e investigar crimes contra animais. Situação: aguardando resposta na 1ª SECM (sessão extraordinária). 

Moacir da Acapra "Giraldi" (PCdoB-SC) 
Integrante da Associação Catarinense de Proteção aos Animais, da qual chegou a ser presidente, o deputado federal destaca o combate ao abandono de animais como uma das suas principais bandeiras. Entre as suas propostas estão a construção de clínicas veterinárias públicas por todo o país e o controle populacional, como medida de saúde pública, através da castração de animais.

Paulinho Pompom (PTC-RJ) Defende penas mais severas para quem cometer maus-tratos aos animais e a criação de hospitais veterinários.

Ricardo Izar (PSD-SP)
Presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Animais, o candidato é autor do projeto de criação da CPI destinada a investigar maus-tratos de animais e tem, atualmente, 13 propostas em trâmite. As mais expressivas são: 
PL 6602/2013: proíbe uso de animais em atividades de ensino e em pesquisas e testes de cosméticos.Situação: aguardando retorno do Senado Federal. 
PL 6267/2013: proíbe o uso de animais em filmes pornográficos, além da circulação, venda e exibição de tais imagens. Também altera a lei de crimes ambientais (nº 9.605, de 1998) e inclui zoofilia como crime.Situação: aguardando parecer do relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). 
PL 3491/2012: inclui na lei nº 5.970, de 1973 a autorização para remover animais que tenham sofrido lesão em caso de acidente de trânsito. Situação: pronta para pauta na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). 
PL 4586/2012: cria o selo nacional Brasil sem Maus-Tratos, que será recebido por empresas ou instituições que não utilizam animais em experimentos científicos. Situação: pronta para pauta na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC). 
PL 3142/2012: agrava a pena para abuso, maus-tratos ou mutilação de animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Situação: apensado ao PL 7.199/2010, que define punições a quem causa danos ao meio ambiente. 
PL 3490/2012: proíbe canis públicos e centros de controle de zoonoses de matar cães e gatos. Situação: pronta para pauta na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF). 
PL 2470/2011: torna obrigatório o aviso ao consumidor do uso de animais vivos na obtenção de produtos e substâncias. Situação: pronta para pauta na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC). 

Ricardo Tripoli (PSDB-SP)
Tripoli é relator da comissão externa que investiga denúncias de maus-tratos contra animais no Instituto Royal – caso que ficou conhecido em 2013, quando ativistas invadiram o laboratório, em São Roque (SP), e levaram cachorros da raça beagle usados como cobaias. 
O candidato também visitou o Acampamento Nacional pelos Direitos dos Animais, se posiciona contra o uso de animais em pesquisas científicas, promoveu uma audiência pública para discutir formas de substituir essa prática e destina uma parte de seu site para divulgar suas ações na defesa dos animais, que incluem palestras, relatórios e apoio a campanhas voltadas para bem-estar animal. 
PL 215/2007: institui o Código Federal de Bem-Estar Animal, que estabelece normas para as atividades de controle populacional e de zoonoses, experimentação científica e criação, incluindo desde maus-tratos aos animais domésticos àqueles criados para consumo humano. Situação: aguardando criação de comissão temporária. 
PL 7875/2014: prevê que os projetos habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida tenham espaços destinados aos animais domésticos. Situação: aguardando parecer do relator na Comissão de Desenvolvimento Urbano (CDU). 
PL 2833/2011: criminaliza condutas praticadas contra cães e gatos e aumenta punição de maus-tratos.Situação: apensado ao PL 7199/2010, sobre penalização de atividades lesivas ao meio ambiente. 
PL 2086/2011: proíbe perseguições seguidas de laçadas e derrubadas de animal em rodeios ou eventos similares. Situação: aguardando criação de comissão temporária e parecer do relator na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR). 

Roberto de Lucena (PV-SP)
PL606/2011: estabelece normas para o transporte de animais. Situação: apensado ao PL 215/2007, Código Federal de Bem-Estar Animal, de Ricardo Tripoli. 

A World Animal Protection analisou todas as diretrizes dos candidatos à presidência nas eleições de 2014 e entrou em contato com cada senador em exercício e com 191 candidatos a deputado federal – ao todo, são 225 signatários, mas foram excluídos os aposentados e os não-candidatos. Não obtivemos resposta de todos. 
Se você é candidato a nível federal ou conhece algum candidato (para deputado federal, senador ou presidente) e gostaria de ver suas propostas de proteção animal publicadas aqui, entre em contato. 
Destacamos que a World Animal Protection não apoia oficialmente nenhum dos candidatos ou partidos acima. Nosso objetivo é apenas reunir as propostas existentes e expor o que cada diretriz de governo apresenta para a causa animal. A escolha em si deve ser feita por cada cidadão, com base em sua identificação pessoal com o partido e com quem acredita ser o melhor candidato para defender os interesses da sociedade, do meio ambiente e da fauna doméstica e silvestre. Lembre-se de investigar a sua trajetória política, vá além dos projetos e das promessas atuais e debata com seus amigos e com outros protetores. 
Vote pelos animais com responsabilidade e coerência. 

Site: Proteção Animal Mundial